Deus me protejaim e da maldade de ge de mnte boa. Chico César

Deus me protejaim e da maldade de ge de mnte boa. Chico César
É aqui onde eu me escondo do vento, me abrigo da chuva, invento canções pra passar o tempo e deixo a brisa me levar. Aqui eu conto histórias, revivo memórias, me espreguiço em lençóis antigos, carregados de saudade, escrevo poesia num papel de pão. Aqui eu fiz um canteiro com minhas flores preferidas, pendurei vasinhos verdes com ramas mais verdes ainda. Tem onze horas abertas, fumaça de café fresco e uma rede pra balançar. Aqui é o meu canto, meu mundo, meu remanso. Este é o meu lugar. -Eunice Ramos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

 

josecarlosdopv
A expressão “família conservadora” não é neutra. Ela transforma um arranjo social em marcador ideológico.

Família é núcleo de cuidado, proteção e responsabilidade mútua. Ao acrescentar “conservadora”, cria-se uma fronteira moral: existe a família legítima e as demais, vistas como desvio. Não é descrição sociológica, é hierarquização política.

Esse rótulo cumpre duas funções. Primeiro, simplifica um fenômeno complexo. O Brasil real é feito de famílias monoparentais, avós que criam netos, casais recompostos, lares chefiados por mulheres, arranjos extensos e múltiplas formas de convivência. Reduzir isso a um modelo único ignora a realidade concreta.

Segundo, desloca o debate material para o campo moral. Em vez de discutir renda, emprego, moradia, creche e tempo de qualidade, discute-se comportamento e costumes. A palavra “conservadora” funciona como escudo simbólico: quem questiona o modelo é acusado de atacar a família em si.

O problema não é defender família. É usar a família como instrumento de exclusão e mobilização identitária.

Se a preocupação é proteger crianças e fortalecer vínculos, a discussão deveria começar por políticas públicas e condições de vida. Sem base material, a defesa da “família conservadora” vira apenas retórica moral que mascara conflitos sociais mais profundos.

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