Deus me protejaim e da maldade de ge de mnte boa. Chico César

Deus me protejaim e da maldade de ge de mnte boa. Chico César
É aqui onde eu me escondo do vento, me abrigo da chuva, invento canções pra passar o tempo e deixo a brisa me levar. Aqui eu conto histórias, revivo memórias, me espreguiço em lençóis antigos, carregados de saudade, escrevo poesia num papel de pão. Aqui eu fiz um canteiro com minhas flores preferidas, pendurei vasinhos verdes com ramas mais verdes ainda. Tem onze horas abertas, fumaça de café fresco e uma rede pra balançar. Aqui é o meu canto, meu mundo, meu remanso. Este é o meu lugar. -Eunice Ramos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

 





"Percebi que estava a envelhecer — não quando surgiram as primeiras rugas.

Nem quando alguém me ofereceu um lugar no autocarro.
Nem quando deixei de entender a música moderna ou de querer ficar até o amanhecer.
O envelhecimento chegou em silêncio.
Sem drama, sem medo.
Mostrou-se quando deixei de desperdiçar energia em explicações inúteis.
Já não preciso ter razão. Não corro atrás de quem parte.
Não espero desculpas de quem não sabe pedi-las.
Simplesmente deixo ir.
Fecho capítulos.
Sorrio — e sigo em frente.
O silêncio já não me incomoda.
Sei que cada um tem o seu próprio ruído interior.
E quem quiser — encontrará as palavras.
Já não tento agradar a todos.
O meu espelho não é inimigo.
Os meus cabelos brancos não são uma tragédia.
E o meu corpo…
O meu corpo é a minha casa, que nunca me traiu.
Com ele vivi amores, nascimentos, perdas e noites sem dormir.
Como poderia envergonhar-me dele?
Estou a envelhecer — e pela primeira vez vivo de verdade.
Sem pressa. Sem “tenho de”.
Sem culpa pelos meus desejos.
Bebo o café enquanto está quente.
Respondo quando estou calma.
Uso roupa confortável.
Ouço a chuva.
E abraço-me mais vezes.
Simplesmente — sou.
E isso basta."

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