Cada um tem aquilo que merece”, quantas vezes ouvimos isto, como se a vida fosse um tribunal justo onde tudo se equilibra? Mas a verdade é mais subtil: cada um tem muitas vezes, aquilo que aceita.
Aceitamos o silêncio onde devíamos erguer a voz.
Aceitamos migalhas quando o coração pede inteireza.
Aceitamos o peso do que nos fere, porque o hábito nos adormece a coragem.
Não é o merecimento que desenha o nosso destino é o limite que colocamos ao que consentimos.
Há quem mereça amor e viva na solidão, porque aceitou menos do que precisava.
Há quem mereça paz e viva em guerra, porque não soube dizer “basta”.
A vida não nos dá o que é justo, dá-nos o que permitimos permanecer.
E só quando deixamos de aceitar o que nos diminui, é que o que merecemos começa, finalmente, a chegar.
Carlos Cabrita.

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