Deus me protejaim e da maldade de ge de mnte boa. Chico César

Deus me protejaim e da maldade de ge de mnte boa. Chico César
É aqui onde eu me escondo do vento, me abrigo da chuva, invento canções pra passar o tempo e deixo a brisa me levar. Aqui eu conto histórias, revivo memórias, me espreguiço em lençóis antigos, carregados de saudade, escrevo poesia num papel de pão. Aqui eu fiz um canteiro com minhas flores preferidas, pendurei vasinhos verdes com ramas mais verdes ainda. Tem onze horas abertas, fumaça de café fresco e uma rede pra balançar. Aqui é o meu canto, meu mundo, meu remanso. Este é o meu lugar. -Eunice Ramos.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

 

De repente, tudo se torna tão simples… que cheg
a a assustar.
É como se a alma, exausta de excessos, começasse a escolher com mais calma.
Aquilo que antes era imprescindível agora soa supérfluo.
A bagagem diminui. Ficam apenas as lembranças que abraçam por dentro, os nomes que resistem ao tempo, os sentimentos que, mesmo mudos, nunca cessaram de falar.
A opinião dos outros — que já foi bússola — perde o peso.
Porque enfim se compreende: aquilo que os outros pensam, pertence a eles.
Mesmo quando falam de nós, não sabem do que falam. E nada, absolutamente nada, muda por isso.
De repente, o que tem valor não é o que reluz, mas o que repousa em paz dentro da gente.
Passamos a amar diferente as mesmas verdades de sempre.
A abrir mão das certezas — porque o tempo nos ensina que toda certeza é breve.
E curiosamente, isso deixa de ser problema.
O que importa é a simplicidade de estar presente.
O hoje se resume no agora — e tudo o que vem depois é suposição.
Cessa o julgamento.
Não há bem nem mal absolutos — só escolhas. Só histórias. Só vidas sendo vividas como cada um consegue.
O improvável torna-se familiar.
Os extremos se dissolvem em meio-tons.
Nada mais é exato — e tudo é instável demais para que a gente queira controlar.
O reverso se desmancha.
E o que permanece é o anseio por paz.
Por tranquilidade. Por leveza. Por fazer, simplesmente, o que alegra o coração — sem tanta explicação.
É fé. E basta.
De repente, a saudade deixa de ser palavra e vira ausência pulsante.
E descobrimos que o coração tem voz — e essa voz não se cala diante da razão.
Tentamos, em vão, explicar o que não é compreensível a ninguém além de nós.
E nesse esforço, percebemos o valor real da verdade:
ser íntegro, ser limpo, ser inteiro.
Com os outros, com o mundo — mas antes de tudo, consigo mesmo.
E então, como num sussurro do Alto, compreendemos:
os planos que traçamos são nossos.
Mas as escolhas que nos transformam...
essas são de Deus.

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