Quem querias que eu fosse, não existe.
Sou tudo e nada, mas não serei, certamente, quem desejas. Porque sou eu, porque me fiz no que sou, porque não mudei no que me devesse ter tornado, mas porque cresci neste corpo e me criei nesta alma.
Foste tu e tantos que me olharam ou que me falaram, foram as dores e os reveses.
Foram as simples alegrias e as súbitas tristezas, foram as conquistas ou os sonhos largados, foram sequelas afoitas e memórias doces.
Tantas foram as circunstâncias que me moldaram, as que libertaram e as que me condicionaram. Tantos segundos gastos e de que não guardo memórias, mas que estão impressos indelevelmente em quem sou numa espiral de momentos irrepetíveis.
Quem querias que eu fosse, não existe.
Sou este contentamento fugaz e puro, feita de sorrisos inconscientes, e sou lágrima quente e desesperada nas noites de medo e lucidez existencial.
Sou dúvida constante, mesmo nas decisões mais responsáveis e sou certeza decrescente em tudo o que me habita.
Sou pedaços de crítica cruel e elogio condescendente.
Sou fado igual a tantos e única no meu sentir.
Só não sou que querias que eu fosse.

Nenhum comentário:
Postar um comentário